domingo, 1 de julho de 2018

A viagem no tempo



     Então, eu estou constantemente tendo que lidar com o movimento que minha cabeça me leva, tem horas que eu me assusto comigo, que entro de novo em crises existenciais de não entender o que ta acontecendo, quem sou eu, se vou permanecer como estou no presente, se eu melhorar e voar e me dá conta que foi mais uma ilusão e cair, como já caí...

    Viajar nas minhas lembranças não é tão forte quanto ler em meus diários e ouvir aquilo que eu ouvia no exato momento do desabafo, foi muito forte entrar no outro daily e me abraçar e aceitar que antes sofrer com minha carência, com a falta de estabilidade amorosa, do que sofrer em mais uma relação amorosa. Saber quando o relacionamento toma rumos que me farão sofrer, fez com que em 4 anos, eu não tenha conseguido levar um amor em uma relação por mais de 5 meses. Até que consegui em tempos espaçados, e por mais de ano sofrer com um coração partido, em imensas crises, de achar que só seria feliz em monogamia, poliamor, poligamia, amor livre, e nada mais que sexo casual.

Eu me perdi tantas vezes e ainda me encontro sem rumo no quesito amizade. Estou evoluindo a cada dia na terapia, de uma maneira que eu não esperava, e assim, minha auto culpa por ter me afastado de tanta gente, fez com que eu aceitasse que cada pessoa tem seu devido lugar. Ainda que em meu coração magoado, ainda que olhando pra trás e recentemente me culpando por não conseguir manter amizades profundas e tão próximas com quem restou em minha vida.


Ao mesmo tempo que dou graças a Deusa, ao caos, a mim mesma, eu me pergunto se deveria mesmo ser tão distante. O fato é que todas essas pessoas que me afastei, discutindo ou só me distanciando, cortando laços em um bloqueio de rede social, ou presencialmente, eu estou conseguindo experimentar dias de alegria e planejar um futuro sem pressão e sem medo de julgamento social, com exceção dos dias de fobia e de confusão mental.

Eu não tenho saudades de ouvir o que devo fazer, nem de pressão do que irei fazer.

Eu parei de considerar que as datas do calendário equivalem ao grau de intimidade, respeito e amor entre eu e as pessoas do passado, e isso não significa nada pro futuro, apenas e apenas que no presente elas não cabem mais.

Como que eu escrevi tanto e não percebi isso antes? A falta de apoio de todas essas pessoas não se resumiu ao tempo atrás e não tão distante que me magoei. Resolvendo assim, tudo isso dentro de mim, eu consegui começar atividades físicas que me lembravam uma pessoa querida, tocar e cantar ainda que mal, músicas que planejei tanto com minhas amoras passadas.

Eu parei de incluir pessoas em meus planejamentos, parei de contar com a certeza dos outros e isso só tem me feito bem.

O botão do foda-se, talvez não precise ser acionado quando esquecemos que ele existe, a vontade de seguir o coração ultrapassa qualquer ilusão e medo de errar.

Eu sinto atualmente que nada que esteja longe do que eu sempre fui caberá nesse atual espaço, foi muito sofrimento pra morrer, pra de fato, tomar minha vida de volta pra mim, não que eu tenha errado, mas que eu fui pelos caminhos que me disseram, até que agora não me restou nada a não ser engolir o orgulho e viver de ajuda, de oferecer ajuda, da troca e da confiança.

Eu ainda me vejo como a carta O louco, que saiu da torre e encarou a roda da fortuna, que finalmente se localizou e se aceitou, para finalmente movimentar, se permitir criar, e querer a estabilidade nas relações. Me vejo tão diferente, tão paciente, tão tranquila, mas a maioria dos dias tudo aperta, tudo dói, tudo fica vazio, e eu luto contra isso. Tenho me enchido de atividades, ocupando meu tempo, mas depois de tantos anos, eu sinto falta de calor na hora de dormir, e ao mesmo tempo amo me acalentar quando lembro dos dias de angústias que aguentei só por um calor.

Por isso que escrevo, pra sempre ler o meu passado e aprender no presente e tomar alguma direção pro futuro. Por isso que não vou parar, quando paro eu estagno, morro, e sugo tudo a minha volta pros abismos piores. Escrever dá uma vida ao que sonhei, faz sentido antes de morrer, me segura mais uns dias e anos. O tempo que viajo são nas palavras e nas milhas filosofias, nas minhas angustias, nos meus amores perdidos, nas amizades destruídas que me fazem querer ser melhor da próxima vez.

Pode não parecer, mas eu estou aprendendo, constantemente, dando limites a tudo que nunca fiz questão, me segurando pra não exagerar e depois cair com a cara no chão.

E hoje eu tenho me segurado, tenho me preenchido, tenho vivido a cada hora e minuto, pra que os vôos que eu tenho dado não sejam em vão, para que cada flor que eu cheirei eu tenha levado o necessário para outras plantas, para que minha nova casa não destrua nenhum ser e seja acalento pra quem chegar.

Ainda dói tantas coisas, mas eu to conseguindo escrever definitivamente uma nova história, porque não está mais tão distante, está bem perto, e a luta está aqui a cada minuto, a cada pensamento acelerado, a cada sono excessivo, a cada chão, cada caminho e cada destino.

E volto novamente pro meu lugar no universo, onde eu me sinto só uma poeira e isso me deixa confortável, que eu tenho a dádiva de observar isso tudo.















Nenhum comentário:

Postar um comentário