terça-feira, 27 de março de 2018

Merdocracia

Hoje cedo fui fazer uma caminhada, e incrível como por aqui só estava a pé pessoas mais envelhecidas, cansadas, longe do padrão de beleza, e pela experiência que tenho, deveriam ser diaristas ou jardineiros, enfim, longe de adquirir um carro!

Na pista passavam muitos carros, indo e voltando, gente de óculos escuros, de bico, e com vidros fechados, tudo isso pra fingir que não vê essa desigualdade, um lugar como esse deveria funcionar o sistema de caronas, ou ao menos mais transportes públicos.

Tudo que rico não quer né, ver ônibus cheio de pobre circulando na sua paisagem de merdocracia.

Uma vez me disseram que eu só via o lado ruim das coisas, aliás já me disseram isso várias vezes,  só que na verdade eu me sinto  no dever de falar sobre o que todos ignoram, perceber isso não me tirou do prazer e contemplação de sentir o sol e observar os passarinhos, o céu azul e sentir que é possível ter essa paz, e isso me dá esperança e sonho com o dia em que todos terão esse acesso, é tão simples, pq colocam tantos obstáculos?

Nossa espécie realmente é estúpida e contraditória, somos os únicos que se iludem com qualquer armadilha pro ego e logo logo aceitamos qualquer desculpa pra não nos unirmos em prol de uma tarefa que ajude o coletivo.

Acho que passei da dase dos ismos, ainda que meu posicionamento seja sempre anarcovegan, eu to um pouco cansada se seguir padrões de ideais, o certo é conhecer e saber como ajudar dependendo da  cultura e até onde um costume é prejudicial.

O povo pobre, ou melhor, o povo que eu convivi sempre reutilizaram coisas, sempre dividiram, ainda que vivessem fofocando uns contra os outros, ninguém jamais deixou o outro sozinho, sem remédio, sem comida.

Eu sei que existem pessoas da tal classe c que são egoístas, murrinhas, mas eu posso entender que seja o medo de faltar, pq essas pessoas sabem o que é não ter.

Odeio esse papo de desapego material de pessoas que sempre tiveram tudo e nunca sentiram falta de nada, essas pessoas podem e devem ser assim, mas e nós que nunca possuímos nada? Que estamos cansados de pegar ônibus, andar a pé, pagat aluguel, usar roupas velhas, não poder ser o nosso estilo pq é melhor adaptar as roupas que doam?

Eu já acreditei na merdocracia, e ela poderia funcionar mas é injusta, competitiva, perigosa e danosa.

Tudo que estou falando aqui pode soar com muito ódio, pode parecer que odeio os ricos, mas eu hoje consigo entender essa bolha que  eles vivem, e por isso mesmo eu não deixo de falar... Falar sobre o quanto isso é estúpido, nenhum outro animal é tão estúpido quanto nós que vivemos criando crenças sistemáticas que só nos atrapalham!

Bom, esse foi meu desabafo de hoje!

Bom dia!

segunda-feira, 26 de março de 2018

Caixinhas

Quando eu era criança eu adorava brincar com caixinhas  de fósforo,  eu fazia uma caminha pros bichinhos entrarem, tinha umas miniaturas e era sempre gratificante aconchegar na minha imaginação...

Deve ser por isso que virei porta treco, eu sempre tenho a sensação que dá pra aproveitar tudo , não sei o que fazer, e acabo somente acumulando.

Refleti hoje e quase pude ter a mesma sensação que tinha de mexer com caixinhas, sacolas,  papéis, tinta guache. As vezes eu inventava que era cientista e extraia um sumo das árvores pra fazer uma experiência mágica. Mas depois eu tinha pena e imaginava se a árvore estava sentindo dor.

Eu lembro de mim sempre no meu mundo, nas caixinhas que eu criava na imaginação, uma época que quase não tinhamos opção do que comer, sem frutas, mal mal pão francês e manteiga, tinha época que ou tinha pão ou manteiga, e arroz com ovo era o que tinha, eu tinha o apetite viciado em salgadinhos (os xilitos como diz no ceará), então não queria muito comer comida, las eu inventei de mentalizar uma mesa farta, especialmente com queijo e bolo de chocolate, era o que eu amava, como qualquet criança pobre que não tem muita opção e aquilo me fazia feliz e animada o dia inteiro.

Pode ser que como eu era criança, entre 8 a 10 anos, eu não tinha o diacho desses hormônios alterando meu humor, ou eu conseguia mesmo construir a bolha e ser feliz...

Eu também sofria de ansiedade e pânico, só hoje em dia que percebi isso, mas eu ia muito no hospital pq sentia meu coração acelerado, falta de ar, e nem sempre era asma.

Mas eu tinha uma vitalidade, uma vontade de viver e de descobrir o mundo... Pena que eu perdi isso, ainda me chamam de corajosa e exploradora de novos horizontes, mas na verdade eu ainda fico no mundo das idéias.

Eu vou procurar caixinhas e depositar minhas criações nisso, vou burlar o protocolo de adulta chata, que só se preocupa com contas e trabalho.

Eu já nem pareço adulta pelo meu tamanho e minha pele... Acredito que seja devido a minha dieta e também meu DNA.

Hoje passiei pouco ao ar livre, admirei as estrelas e me senti completa, hoje eu toquei violão, assisti aulas, mas faltei a terapia, percebo que estou entrando numa zona de conforto aqui. É a minha caixinha, dá muita preguiça de enfrentar meus traumas e hoje eu não quis e se quer tentei ir!

Enfim, vai saber que caixinhas vou ter que abrir aqui dentro, ou construir novas, ou le desfazer das antigas.

Boa noite!

domingo, 25 de março de 2018

Inside

Aqui dentro tudo se move
Tudo gira em torno do meu caos
Mas se é caos será que deveria girar?

O que seria ou será um caos?

Aqui dentro sai questões que poderão ser respostas, ou podem ser nada dependendo do meu ponto de vista, do dia que eu resolver me recordar de hoje e viajar no tempo.

Aqui dentro tem uma pessoa querendo algo, mas nessa tempestade de ser eu, nada e nada está nítido.

Se o mundo se resumir ao que sinto, se meus sentimentos virarem uma realidade, talvez eu morra todos os dias...

E se?

 
   Será que quando a gnt morre há a possibilidade dagente virar uma harmonia musical? Ou dagente virar uma nota? Ou a criatividade de alguém? Ou uma plantinha no meio do asfalto? Ou uma formiguinha levando uma folha? Ou uma folha  em cima da formiguinha?

E se for tudo isso? Se a gente é matéria em movimento? Nem sei se é assim que fala, mas já percebi que nosso corpo vai se decompor, e o que virar de orgânico pode se transformar em tudo!

As vezes tenho medo disso, uma pontada de saudade de todos, mas muitas vezes parece a melhor fuga.

Se for uma sintonia, que seja boa, daquelas que me confortam.



Edit:
Essa música do Pink Floyd representa meus sentimentos hoje:


Tradução


If I were a swan, I'd be gone
If I were a train, I'd be late
And if I were a good man, I'd talk with you
More often than I do
If I were to sleep, I could dream
If I were afraid, I could hide
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If I go insane, please don't put
Your wires in my brain

If I were the moon, I'd be cool
If I were a rule, I would bend
If I were a good man, I'd understand
The spaces between friends
If I were alone, I would cry
And if I were with you, I'd be home and dry
And if I go insane, will you still let
Me join in the game?
If I were a swan, I'd be gone
If I were a train, I'd be late again
If I were a good man, I'd talk with you
More often than I do

Se

Se eu fosse um cisne, estaria morto
Se eu fosse um trem, estaria atrasado
E se eu fosse um bom homem, conversaria contigo
Mais frequentemente do que faço
Se eu fosse dormir, poderia sonhar
Se eu tivesse medo, poderia me esconder
Se eu enlouquecer, por favor não ponha
Seus arames no meu cérebro
Se eu fosse a lua, eu seria legal
Se eu fosse uma regra, estaria dobrado
Se eu fosse um bom homem, eu entenderia
As distâncias entre amigos
Se eu estivesse só, eu choraria
E se eu estive contigo, eu estaria em casa e seco
Se eu enlouquecer, você ainda vai
Me deixar participar do jogo?
Se eu fosse um cisne, estaria morto
Se eu fosse um trem, estaria atrasado novamente
Se eu fosse um bom homem, conversaria contigo
Mais frequentemente do que faço

Minha fragilidade

Meu ego as vezes é minha fragilidade, hoje eu refleti dentro de mim o quanto ainda dependo da aprovação alheia, do quanto fico triste quando sou rejeitada e quando tenho a sensação de abandono.

O que é mais contraditório em mim é que eu me bloqueio quando resolvo construir novas relações...

Hoje ao passear na noite, eu estava tão bem olhando o céu estrelado, parecia que eu ia voar, parecia que eu não tinha corpo de carne e osso. Mas apareceu uma pessoa na rua, e eu já estou mais segura de não me apavorar se for um Homem, eu vi, desviei o olhar pq ele me atraiu, e lembrei que já havia cumprimentado ele outro dia quando saí no mesmo horário.

Ele ainda estava se aproximando e percebi  que ele ficou com medo de falar comigo, ele atravessou a rua como respeito e eu não consegui olhar e abrir um sorriso e desejar boa noite. Embora eu fizesse isso se fosse uma mulher, eu senti vontade de me fechar e ao mesmo tempo me perguntei se precisava disso, será que não dava pra ser construída uma amizade alí? Uma companhia pra passear a noite?

E se ele pensou a mesma coisa? Eu continuei andando, com a música do meu momento tocando no celular, deu pra perceber que as pessoas que passavam paravam pra prestar atenção, é uma banda chamada "False Horizon" que um amigo indicou recentemente.

Depois imaginei o quanto seria bom ter uma amizade como a dele aqui perto, que dá pra falar de depressão, exploração social, revolução, veganismo, poesia, nossos bloqueios, nossas terapias, nossos traumas, isso seria melhor que uma noite de sexo pra mim, no momento era disso que eu precisava.

Depois cheguei ao meu destino de dar comida a uns gatinhos de rua, me lembrei de como eles não ligam pra aprovação de ninguém, eles são realmente livres.

Receber e dar amor a esses babys me ajuda muito, mas preciso ainda aprender a ser mais livre dos julgamentos que criei na minha cabeça, de formações e construções de paradigmas que ainda me aprisionam.

Ao chegar em casa eu resolvi mexer no celular enquanto estava no banheiro, e vi que uma pessoa querida deixou de me seguir no instagram, eu me senti ofendida, e deixei de segui-la, depois refleti que eu mesma pedi pra ir embora as pessoas que não sabiam lidar com minhas loucuras.

Resolvi desativar pela primeira vez minha conta, facebook, twitter e instagram desativados.

Vou entrar de férias deles, estou em recuperação, estou reconhecendo quem me tornei, aprendendo a respeitar minha fragilidade, meus medos e traumas.

Um dia eu sei que vou ser a doidinha dos gatos de cabelo colorido e simpática, e não a séria e fechada.

Eu não pretendo me abrir tanto, mas no mínimo deixar o ambiente mais agradável, essa sensação de medo me aprisiona, me deixa num sufoco desnecessário.

Eu ainda estou seca, não consigo regar nenhum novo sentimento ou vontade de me apaixonar, mas estou aprendendo a viver uma paixão por mim mesma, pelos meus defeitos e crises.

Volta e meia eu me vejo andando sem rumo, com vontade de morar na rua, ou me suicidando uma hora ou outra, isso ainda está em mim, e percebo que é mais uma vez minha fragilidade ou minha fortaleza, pois eu aceitei a morte e estou sentindo o que ela pode ser de fato.

E toda vez que penso nela eu imagino o que minha consciência pode se tornar, espero que ela vague como o vento, e se torne melodia que nem esses solos dessa banda, ou que balance uma árvore e traga o frescor aconchegante de uma tarde ensolarada, que seja apenas aquele frio gostoso da noite que permite que as pessoas se abracem e se amem.

Eu criei essa crença na minha filosofia de hoje, pra lidar melhor com toda essa fragilidade.


sábado, 17 de março de 2018

Sobre viver

Cada dia que passa eu aprendo mais sobre o trabalho, sobre a necessidade que executar tarefas que sejam apenas para sobreviver, trouxeram vários significados para nos iludir e deixar uma ilusão de que somos mais que nós mesmos!

Eu me sinto presa, formatada obrigada a esconder quem sou quando preciso trabalhar com burocracias que pra mim já não fazem sentido algum!

Eu estou vendo que cortar a grama, cozinhar, lavar, organizar tem mais sentido que todos os anos que estudei!

Queria ainda ter habilidade em horta, em comida crudivora, em nutrição, em dinâmicas, e claro, poder me dedicar a minha vida a arte, as minhas expreassões de percepção de vida!

Ainda não me vejo vivendo muito tempo, mas me vejo fazendo muita coisa nova e pela primeira vez!

Talvez essa seja a morte que preciso, talvez eu já era uma outra borboleta que precisava acordar em um novo corpo!

Talvez eu seja algum sábio chinês que vive sonhando que é uma borboleta, e na verdade é só um átomo!

Ainda estou me restrigindo a conhecer novas pessoas, preciso me dedicar a me conhecer melhor, pq eu já sou outra e ainda não me habituei a esse novo ser!

Estou literalmente renascendo das cinzas, e aprendendo a voar de novo!

Estou em um novo corpo, novas unhas, nova vida... E só me vejo mais simples, longe de qualquer cargo que limite minha criatividade!

Dá pra sobreviver com ajuda mútua entre vizinhos, na comunidade, nós só precisamos nos unir novamente!

Esse foi um dia que aprendi mais sobre viver... Cada dia de cada vez, talvez eu melhore, piore, mas estarei movimentando e respirando e vivendo, antes de finalmente desaparecer e me integrar com o todo!






sexta-feira, 16 de março de 2018

Recuperação

Eu estou melhorando, coisas boas aconteceram, consigo ter alguma perspectiva de vida, também larguei uma medicação que me intoxicou, vim para um santuário do qual preciso doar meu tempo e meu amor aos animais em troca de moradia!

Pra mim não há troca melhor, ainda estou me adaptando a essa rotina, eu não fazia nada, e agora tenho hora e obrigações...

Eu odeio obrigações, mas aqui não me sinto obrigada, é algo que faço com prazer, e ainda ganho carinho dos babys não humanos!

Meus babys vieram pra cá, a parte ruim é que a essa altura do campeonato eles também contrairam a fiv/felv, a tal aids felina!

Porém, eu não tive escolha!
Antes de eu melhorar de vez eu fiquei sabendo de alguns julgamentos a meu respeito, só que dessa vez eu tive força pra não discutir e me afastar!

Há 20 dias eu não tinha teto, não tinha onde morar, e as pessoas sabiam, eu não escondi!

Eu precisei de dinheiro pros meus remédios e para comer, quem me abrigou foi quem também não podia, mas dividiu o pouco comigo! Quando consegui grana ajudei financeiramente e se pudesse ajudaria mais!

Incrível como a ajuda sempre vem de quem também precisa de ajuda! E uma amiga minha que é irmã de alma, que mais apanhou de mim em surto, que eu cheguei a odiar por não entender, foi quem teve coragem de ir atrás de moradia pra mim!

Não foi quem se dizia família e que jogou na minha cara que já havia ajudado em tudo que podia, como se dinheiro comprasse afeto!

Uma amiga estava operada, mas me impediram de ir visitá-la, e eu entendi o recado que eu levaria mais problemas!

Quando foi pra eu voltar pra Fortaleza-CE, apareceu ajuda do 5o dos infernos pra eu ir, ainda contra a minha vontade!

Isso tudo só provou pra mim que minha intuição estava certa, nem todo mundo de fato se preocupava comigo, e sim com a imagem delas relacionada a mim! Se eu tivesse me matado elas se sentiriam culpadas e o melhor jeito foi mandar a bosta fedida que sou para meus parentes de sangue, sem se certificarem se seria melhor pra mim!

Ainda assim não criei ódio (bendito estabilizador de humor <3 ), apenas uma mágoa distante e coragem pra me afastar!

Ninguém é obrigado a me abrigar, a me sustentar, mas não deveriam dizer que sou da família, enquanto que se fosse mesmo o tratamento seria outro.

Aqui onde estou é simples e perfeito, pra melhorar ainda, eu tenho liberdade de fazer as coisas na minha hora!

E percebi que talvez assim eu estando boa eu conquiste novamente o direito de visitar essa amiga operada e as crianças amigas que jamais se afastariam de mim por eu estar doente!

É isso... desabafo de hoje!

To com idéias boas e finalmente me priorizando acima de tudo!


🌱