segunda-feira, 26 de março de 2018

Caixinhas

Quando eu era criança eu adorava brincar com caixinhas  de fósforo,  eu fazia uma caminha pros bichinhos entrarem, tinha umas miniaturas e era sempre gratificante aconchegar na minha imaginação...

Deve ser por isso que virei porta treco, eu sempre tenho a sensação que dá pra aproveitar tudo , não sei o que fazer, e acabo somente acumulando.

Refleti hoje e quase pude ter a mesma sensação que tinha de mexer com caixinhas, sacolas,  papéis, tinta guache. As vezes eu inventava que era cientista e extraia um sumo das árvores pra fazer uma experiência mágica. Mas depois eu tinha pena e imaginava se a árvore estava sentindo dor.

Eu lembro de mim sempre no meu mundo, nas caixinhas que eu criava na imaginação, uma época que quase não tinhamos opção do que comer, sem frutas, mal mal pão francês e manteiga, tinha época que ou tinha pão ou manteiga, e arroz com ovo era o que tinha, eu tinha o apetite viciado em salgadinhos (os xilitos como diz no ceará), então não queria muito comer comida, las eu inventei de mentalizar uma mesa farta, especialmente com queijo e bolo de chocolate, era o que eu amava, como qualquet criança pobre que não tem muita opção e aquilo me fazia feliz e animada o dia inteiro.

Pode ser que como eu era criança, entre 8 a 10 anos, eu não tinha o diacho desses hormônios alterando meu humor, ou eu conseguia mesmo construir a bolha e ser feliz...

Eu também sofria de ansiedade e pânico, só hoje em dia que percebi isso, mas eu ia muito no hospital pq sentia meu coração acelerado, falta de ar, e nem sempre era asma.

Mas eu tinha uma vitalidade, uma vontade de viver e de descobrir o mundo... Pena que eu perdi isso, ainda me chamam de corajosa e exploradora de novos horizontes, mas na verdade eu ainda fico no mundo das idéias.

Eu vou procurar caixinhas e depositar minhas criações nisso, vou burlar o protocolo de adulta chata, que só se preocupa com contas e trabalho.

Eu já nem pareço adulta pelo meu tamanho e minha pele... Acredito que seja devido a minha dieta e também meu DNA.

Hoje passiei pouco ao ar livre, admirei as estrelas e me senti completa, hoje eu toquei violão, assisti aulas, mas faltei a terapia, percebo que estou entrando numa zona de conforto aqui. É a minha caixinha, dá muita preguiça de enfrentar meus traumas e hoje eu não quis e se quer tentei ir!

Enfim, vai saber que caixinhas vou ter que abrir aqui dentro, ou construir novas, ou le desfazer das antigas.

Boa noite!

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