quarta-feira, 30 de maio de 2018

15:15 pós sessão





Estou encontrando outra fuga pro sentimento de abandono, de solidão, de ao mesmo tempo que quer um abraço, quer fugir...

Eu lembrei hj na terapia de tanta coisa, de todos os motivos que tenho pra desaparecer, me abraçar e seguir ao que me inspira.

A dor do mundo não é minha, mas eu sinto, pq eu sei o que é isso.

Lembrei da fase das tentivas de suicídio, da bulimia, da auto mutilação, dos diários, dos poemas, do cheiro da noite, da chuva, do sol, do pôr do sol, nascer do sol. Todas as músicas que embalavam no colo e me davam aquilo que me faltava.

Eu amava ficar sozinha, e sempre quis morar sozinha, o desejo de morar na rua não veio depois ou pouco antes do surto, eu tenho desde os 7 anos.

Eu planejava, calculava quanto de dinheiro eu precisaria pra comer por quantos dias.

Um dia fugi, minha mãe me achou e eu apanhei. Sempre que ela  brigava comigo eu avisava: EU VOU FUGIR DE CASA!
Depois era: QUANDO EU TIVER 18 ANOS EU VOU SAIR DE CASA!

Eu escrevia, começava a compor, sentia tudo...

Isso era meu lugar seguro, me via na paz de me dedicar a arte sem ninguém gritar dizendo que eu deveria fazer outra coisa.

Nunca me importei com dinheiro, segurança, status, eu só queria expressar.

Talvez isso seja uma âncora, ainda não me convenci se que viver vale a pena. Só não tento mais pq tenho meua felinos e agora o compromisso com a Isabel.

Ainda quero ver a aurora boreal na finlândia, ainda quero mas não tão firme que me faça crer que isso dará certo ou melhorará meu desejo de parar de existir.

Lembrar dos meus escapes me trouxe paz.

Um dos meus sonhos me trouxe a música 'A lista' do Oswaldo Montenegro, e além dela tem a Metade...

Isso resume muito, muita coisa que faz parte de mim.

Quero muito poder me transformar nisso.

Nisso da música, pq essas sensações pra mim tem algum sentido.

Dentro de toda essa bagunça da sociedade.

Não é caos, o caos é lindo, o caos ordena, é natural.

Essa consequência que a gnt tem, de traumas, transtornos, poluição, doenças sem cura... Isso não é caos, isso é a consequência da falta de importância e sensibilidade alheia.

Eu agora ainda to pensando e sentindo o que foi tudo aquilo que vivi, na infância, adolescência, início da vida adulta.

O reconhecimento da perda de identidade, a sensação de ter perdido a vida, e com a obrigação de estar viva, vivendo aquilo que mais me deixava mal.

É sutil, a gnt se esquece de quem somos, aos poucos, e nos tornamos adultos chatos, seguindo uma programação.

Hoje eu recuperei memórias de traumas, e também senti e passei a dar mais importância aos escapes.

domingo, 27 de maio de 2018

Dia de sono, Reiki, metamorfose


Hoje eu quase não levanto, devo ter dormido umas 14 horas. Eu levantei cedo, ia colocar os babys no quintal pq eles pediram, mas, voltei a dormir e deixei eles na sala.

Eu sei que mais cedo tive um pesadelo horrível, talvez isso tenha feito com que eu não conseguisse dormir bem. Não lembro o que foi exatamente, mas até que to feliz por não lembrar tanto assim. Vai saber o nível de perturbação q eu teria.

Felizmente quando dormi de novo, já era umas 8hs da manhã e só lembro de que eu, meu irmão e minha irmã estávamos unidos, aprendendo a mexer com câmera de segurança e procurando casa pra alugar aqui no império, condomínio ao lado.

Eu acordei na marra, acho q ouvi briga de gato ou de cachorro, só sei que depois, mãe Isa disse q o nosso hóspede Bob brigou com meus babys por ciúmes.

Mas não consigo ver isso como motivo pra levantar, acho q me forcei a levantar mesmo quando vi que já ia dar 12hs.

Eu passei o dia com muito sono, exceto na hora que mãe Isa fez minha iniciação no nível 3, e nível 1 no meu filho.

Eu percebi que sigo mesmo a filosofia reikiana, como se fosse uma das minhas bandas favoritas, uma diversão e prazer em fazer, observar, praticar, vivenciar.

Fiquei me perguntando se sou Atéia mesmo, mas sempre que me pergunto, desde que me reconheci Atéia, eu não vejo volta pra esse caminho. Não tenho dúvidas, sou sim, Atéia... Artista, Ativista...

Qual a diferença de um Artista pra um Ativista?

Sou Atéia por puro ativismo, mas jamais deixarei meu grande amor de lado pra aceitar alguma caixinha que determina e formata o significado das coisas de acordo com alguma lei.

Me vejo mesmo na eterna metamorfose de crenças, e percebo que isso são as pessoas que definem e criam alguma imagem de nós, não importa o que dissermos.


Eu sinto que o Reiki pra mim é não só algo divertido, é algo que amo mesmo, que de alguma maneira esquenta meu coraçãozinho, assim como as runas, e isso é constantemente lapidado junto com minha identidade!

A Yoga, meditação, reiki, arte marcial, dança... são o que são. As pessoas que atribuem significados a mais de acordo com suas emoções.

E até aqueles que misturam suas criações com a realidade e entram num transe hipnótico, ilusório, e tóxico pra sociedade, no fundo não possuem essa intenção, elas estão emocionadas com algo que as inspirou.

Longe de mim determinar o certo e errado sobre isso, mas depois que entendi o peso que as religiões e crenças espirituais têm sobre as pessoas portadoras de transtornos mentais e de algum problema que seja desde familiar a financeiro, não tem como eu ver isso como algo positivo. Não tem como só mandar reiki, não tem como...

Meu grande amor é a Arte, pq nela eu encontro a  cor da música, o cheiro das poesias, o sabor dos desenhos e pinturas.

E nesse conjunto de emoções e sensações eu guardo o Reiki, Runas, Yoga, Meditação, Arte Marcial...

Mãe Isa ensinou uma técnica pra escrever orações e palavras positivas, e eu perguntei se poderia escrever um poema. Ela olhou como se alguma ficha caísse e prosseguiu sempre trocando a palavra oração por poema ou poesia.

De noite fomos passear, céu estrelado, frio e fizemos um reiki pro Brasil, pois com o nível 3 potencializou.

E em mim parece que algo despertou.

sábado, 26 de maio de 2018

A Hora dos meus Pesadelos




Quem me dera que a hora do meu pesadelo, fosse cercado de monstrinhos me perseguindo, de bichos papões, de vampiros, bruxas e satanás...

Os meus pesadelos envolvem meus amigos, meus parentes, meus traumas, são angustiantes, me trazem um nojo de ter presenciado o que presenciei, que não seria tão nogento, talvez se fosse puro, se existisse uma equiparação de idade, se não fosse abuso.

Meus pesadelos envolvem mals tratos a crianças e animais, envolvem eu mesma matando meus filhos completamente louca.

Meus pesadelos me cobrem de agonia, angústia, mas ainda assim eu precisei dormir... Dormi por 12 horas, ou mais...

Aqui no hospital onde encontrei a paz em minha internação com os melhores doutores, ainda engulo dias de angústia, que soma meu passado e o medo do futuro.

Ontem a noite me senti feliz comigo, por não entrar em desespero e nem explodir de ódio pq uma situação me trouxe a falta dr controle.

To sobrevivendo a isso...

Hoje em uma das minhas atividades, a enfermeira Sara, que sempre usa botas brancas, me acompanhou, foi carinhosa, cuidou de mim. E assim nos abraçamos, assim eu senti cuidado, apoio e carinho.

Meus parentes de sangue não estão a par da minha situação, eu nem tenho forças pra pedir ajuda, quanto mais de contar  a quem não ta interessado, todas as minhas angústias e desesperos.

Eu sinto sono, quero dormir, mas já começo a sentir o medo do q virá. Comecei a prática de EMDR, parece q funciona, e estou anotando todos esses horrores, e dói muito tocar numa ferida q vc pensa que já sarou.


Hoje, eu to diboas comigo, numa mistura de ansiedade pra explorar o mundo e ao mesmo tempo dizendo a mim mesma pra aproveitar mais a internação e o exílio.

Meu exílio, meu lugar seguro, ele existe, e sempre cuida de mim.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Passarelas, Paradas, Ônibus E Quadras

Assombradinho-DF, 21 de Maio de 2018



Quanto dejavú eu tive hoje… 1 passarela e mil histórias.

Me deu foi falta de esperança ao passar pela passarela do império, da qual eu passei 2 anos indo e voltando várias vezes no dia, na época q comecei a faculdade, que tive a briga homérica com meus pais, a que quase sai de casa até um dia sair de verdade e vê-los voltando sem nada pra Fortaleza-CE.

E aí eu pude ver o quanto o Status de ter Pai e Mãe próximos, influencia no meio social.

Morávamos no apto que meu pai pagava o aluguel sozinho e sempre atrasava, até receber um processo de um que ja devia e que fomos despejados, e nesse também ja nao pagava... alem de só pagar o bar, ele faliu de vez… antes de falir de vez já era um insuportável viver naquela situação,  era um inferno. Mas eu me apegava a doutrina do vale do amanhecer que me confortava sobre o karma e que eu de alguma maneira merecia aquele sofrimento.

Não só a passarela, os ônibus, as linhas, cada coisa vinha milhões de histórias, ansiedade, falta de controle nos pensamentos... E pra meu azar, eu tive que justamente pegar o msm bus q estava um casal de amigos, ex-amigos sei lá, devem me odiar até hj, o motivo exato eu não lembro, só sei que me deu ataque de pânico, pernas fracas, vertigem, queria descer mas eles tavam no meio do bus.

Comecei a buscar algo de fuga no celular que amenizasse isso e do nada falei que queria transar com um crush, pelo whatsapp, eu já havia entrado no assunto, mas não ia dizer aquilo tão discarado. Acabei contando as últimas frustrações sexuais, e quando chegou perto de descer eu tava menos em pânico.

Desci uma parada antes e deu pra ver q eles me reconheceram, fingi q não os vi. Desci na parada da 707/706, a quadra da escola de música e loja Melodia, onde eu tive meus maiores sonhos, frustrações e pânicos da vida nos meus 15 anos. Foi lá q achei q finalmente ia ter sentido na vida estudando música e meu pai parou de pagar, e ouvi de uma pessoa q foi amiga por mais de 12 anos, q estudar música era perca de tempo, q eu tinha q passar num concurso antes d qualquer coisa.

Na entre quadra 706/707 eu trabalhei numa empresa q terceirizava outsourcing, entre 2010/2011… foram mais frustrações, o pior de tudo é que eu quis sair  da área comercial pra entrar na área de RH, tava disposta a tudo e mal sabia eu que só tava trocando o vidro do veneno que engoli todos esses anos longe de fazer o que gosto. Mas eu precisava sobreviver, e até tava acostumada com as reações do meu corpo, até o ds última empresa que me deu uma chefe escrota de brinde e daí eu nunca mais melhorei.

Pensei em meus pais... fui caminhando pro Caps ainda mal, lembrando de tudo, me tremendo, lembrando de tudo que tive que ouvir pra passar por tudo que passei, impossível não ouvir meus pais gritando comigo, rindo da minha cara, me proibindo de fazer qualquer coisa...

Lembrei que era dia da peça sobre a luta antimanicomial, e eu ia falar sobre aceitação, ia filmar e não podia desistir e voltar pra casa.

Eu fiquei muito angustiada em perceber q nunca tive e parece q nunca vou ter um bom relacionamento com meus progenitores, então assim parece mais impossível ter uma relação saudável sendo amorosa ou não com outras pessoas... Lembrei do casal q vi no bus, lembrei de tudo relacionado a eles e os últimos que me afastei, e de brinde com toda aquela tempestade que eu tava sentindo me veio o medo de perder quem ainda tenho.

Um vazio, uma apatia e sensação de abandono me dominou e cheguei no caps no meu disfarce de quem ta suportando viver e que nem sofre tanto assim.

No final, resolvi ir pro terminal da asa sul e ir sentada pra casa... pra q? Pra passar por toda w3 norte e sul e continuar na minha regressão de frustrações, de desamor, de abandono.

Me sinto a pessoa q não merece amor… todas essas paradas, ônibus e quadras presenciaram o quanto eu passei mal, devo merecer mesmo… quem sou eu pra entrar na vida de alguém e levar todas essas tralhas? Ninguém merece… ninguém mesmo.

Eu tava ouvindo música o mais alto que podia, a playlist fuck the sistem q criei, eu só queria esquecer tudo aquilo. Mal cheguei em casa , depois de 3 horas de trânsito e mal comi e já havia esgotado. Avisei mãe Isa q não daria pra sair com a Cléo e nem mesmo ajudar os gatinhos de rua.

Eu só queria morrer!

domingo, 20 de maio de 2018

As Lilians

Hoje eu me apavorei, apesar de estar bem melhor, comecei a editar os videos dos cats e todos os videos que tenho pra treinar no programa que baixei.

Eu não me reconheci, não me identifiquei, e ao mesmo tempo sei quem fui todas as vezes. Uma vez me disseram que sou resiliente, mas depois de me ver de fora eu sei que não tem nada a ver com resiliência, tem a ver com morte mesmo. Nessa vida eu morri e nasci tantas vezes, eu só vou indo, abraçando as estrelas, caindo nos meus sonhos impossíveis, traçando novos caminhos que quero ir... e depois percebo que consigo, de uma maneira bizarra, mas consigo.

Em 4 anos eu devo ter sido umas 10 Lilians, e eu até queria acreditar que isso aconteceu só nos últimos 4 anos... Mas aconteceu em períodos mais distantes na minha vida toda!

Mas dentro de mim sempre esteve a certeza que não faço parte e nunca farei parte do sistema. Dentro de mim sempre morou e nunca morreu a vontade de trabalhar com a arte... Cênicas, visuais e meu grande amor que é a música (a escrita se encaixa aqui tmbm).

Talvez por isso eu morri tanto, mudei tanto, precisei trabalhar isso em algum lugar, e infelizmente levei o teatro pra vida real, sem perceber eu criei personagens e impus nas pessoas, sem perceber eu mudei o cenário, toquei músicas que só eu ouvia.

Confesso que estou cansada disso, deve ter completado 1 ano que digo isso.

Acessei arquivos de pessoas que pareciam se importar tanto, percebi que me retirei da vida delas pq não suportei ver que elas ignoravam minha dor, e só me abraçavam na minha alegria, que era quando eu não precisava.

Não consigo sentir raiva delas, só saudades.

Hoje eu quase chorei, mas foi de emoção quando um dos meus amores falou comigo, é uma amiga que amo muito, e fiquei tão feliz q vi que ela se importa. Com certeza se a visse eu iria soluçar de tanto chorar e abraçá-la. Ela tmbm tem depressão, ela me entende e ficar longe dela por escolha minha foi muito difícil.

No fundo eu ainda abraço todos, como se eu fosse uma mãe acalentando ou uma criança pedindo colo.

Eu realmente queria ser mais fácil de conviver. Talvez agora, finalmente fazendo o que amo, eu consiga direcionar todos esses pensamentos, suposições, criações de hipóteses que minha ansiedade adora, pra um lugar encantado chamado Arte.

Ja tive um blog chamado Templo da Arte, ele ta desativado, pq me perdi nele... e olha só eu seguindo ele de novo, mas dentro de mim.

De todas essas Lilians, eu só posso ter certeza dessa que ta no presente. Agora entendo tanta coisa, hoje mesmo vi a diferença de me sentir atraente e de saber que é só minha libido gritando. Se eu não tivesse passado por tudo que passei, provavelmente estaria aprontando alguma coisa que me deixaria confusa e sem saber administrar tantas emoções.

Percebi que nunca consegui lidar com o abandono que minha mente cria, que fujo hoje de novas amizades e novos amores pq não quero mais que acabe... To cansada!

Acontece que eu nunca consigo raciocinar que não acabou,  que não fui abandonada, e que só se transformou em outro tipo de relação.  É fácil falar, mas na hora que esse sentimento me sufoca, só o alprazolam pra me apagar.

To ansiosa pra começar a nova terapia com EMDR, ao mesmo tempo que pago pra ver se vai adiantar alguma coisa, é como se fosse a última chance de aprender a lidar com minhas emoções que são bugadas devido a tantos traumas.

Agora mesmo meu coração ta meio maluco, talvez pq foi muito emocionante ver tantos Eu's em um curto espaço de tempo.

Eu sempre me vejo morta com alguém contando essas histórias, como se tudo que eu fizesse fosse pra virar provas de alguma coisa que precisa ser contada. É outro fato sobre mim que tenho desde criança, desde que aprendi a escrever e comecei com meu primeiro diário aos 6 anos.

Eu fui tantas... tantas... isso é uma tempestade de emoção. E eu sempre me segurei sozinha, tô cansada disso. O que eu posso fazer? Já to buscando ajuda, engoli meu orgulho pra pedir ajuda, pra aceitar ajuda, pra me formatar, pra morrer e nascer.

Depois disso tudo, ou melhor, escrevendo isso agora, eu tenho absoluta certeza que acabei de nascer de novo.



sábado, 19 de maio de 2018

Sonho que se sonha só é só um sonho, sonho que se sonha junto é realidade

Hoje eu acordei leve como o vento, ontem consegui tirar um peso das costas me abrindo e falando algumas verdades sobre o que sinto, não foi uma conversa,  eu só desabafei.

Desde ontem eu estou inspirada a finalmente colocar pra fora um projeto que tenho desde os 20 anos quando participei de um coletivo cultural, mas agora tem mais a minha cara. Eu ao mesmo te
mpo que preciso trabalhar a fobia social, eu tenho coragem em excesso de correr atrás de algo que exige um carisma que nem sempre tenho. To adorando ser bastidora, anonimato de algumas coisas que estão acontecendo.

Eu to conseguindo ter calma, sendo perspicaz e objetiva, sem ansiedade, e visualizando vaga pra todos que vejo que nasceram pra isso.

Comecei a ler um livro que um amigo indicou, chama-se "Uma mente inquieta", conta a história de uma psiquiatra que tem o mesmo transtorno que eu. É muito incrível como me identifiquei com ela, nos momentos que vejo sentido pra tudo, e nos momentos que perco a esperança e me vejo beijando a morte como única saída pra tempestade de sentimentos que me habitam.

Eu ainda não estou estável, ou talvez esteja, pensando no ponto de vista de um bipolar, eu to oscilando no dia, mas to conseguindo fazer as coisas. Ontem fui dormir com muita dor de cabeça e angustiada, mas comecei a ler o livro q citei acima, comecei os tópicos do projeto, e fiz minhas atividades  domésticas. Comi pouco, dormi muito, não chorei... e aquela música aparece: "Hoje eu acordei com medo mas não chorei, nem reclamei abrigo. No escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro.."

Mas ontem a música que me abraçou foi "Reis do Agronegócio" do Chico César, e isso me impulsionou a não desistir dos meus sonhos, ainda mais que sei que não sou a única a querer um mundo melhor.

Ja encontrei e participei de coletivos com o foco parecido, porém ninguém sabia exatamente o que fazer e nem o que queriam, a diferença hoje é que não vou divulgar e nem esperar que apareçam entusiastas que aspirem o mesmo.

Ser uma pessoa que faz inspira outras pessoas a fazerem e isso não precisa de ordem, ameaça ou punição. Um amigo certa vez me disse que é normal em coletivos ou qualquer organização social uns trabalharem mais que outros, uns sempre se aproveitarão, cabe a gnt saber lidar com isso.

Ao longo da minha vida eu já aprendi e já sei identificar essas pessoas, e a melhor coisa que fazemos não é exclui-las do projeto, mas sim de mante-las ocupadas.

E junto com Mãe Isa e a Passarinha, nós já passamos por isso, então se tem alguém que conhece e sabe lidar com esse tipo de gente é a mãe Isa.

Claro que não vou falar aqui o que é esse projeto, mas vim contar que minha aspiraçao pra ideia foi de ver o que ja acontece, tantos de nós entramos em tantos grupos que unem tantas pessoas diferentes, pq q a gente fica aqui esperando algum milagre e não tentamos nos unir?

A autogestao existe, sempre funciona, não é utopia.

A gnt talvez só precise observar mais e conversar com as pessoas certas que já deram espaço pra isso, e sonhar juntos.

É aquele lance do "sozinho vc chega mais rápido, dando as mãos com alguém vc vai mais longe".

Eu... a pessoa mais diboas com a solidão (que muita gente julga, mas na real é só uma capa que sempre vesti como defesa), acredito e quero ir mais longe, estou convencida que ninguém vai a lugar nenhum sozinho, esse lance de chegar rápido é um grande CAÔ, até pq geralmente quem vai sozinho depende de platéia, aplausos e reconhecimento. Ninguém vive sozinho.

Falando tanto de sonhos aqui, que pra chegar numa realidade precisamos nos conhecer bem e deixar o sonho cheio de ação e objetivos na nossa cara, isso não é o clichê motivacional que te escraviza nas empresas, pq eles é quem se aproveitam desse discurso pra direcionar o "rebanho" de trabalhadores. Esses sonhos as vezes são bem simples que incluem se sentir útil e que alguém se importa em ouvir e te ajuda a executar. Não falo de bens materiais, falo de sensações.

Se vc conquista sua casa própria mas não se sente seguro nela, talvez tenha entendido errado o que seu cérebro codificou pa seu sentimento. Casa própria pra maioria significa paz e segurança e muitas vezes o sonho material realiza e a pessoa continua buscando a segurança em outra coisa.

Quem sou eu pra falar tudo isso aqui?

Só mais uma entusiasta, aspirante, intuitiva e sonhadora de um mundo melhor, que valha todo esse esforço que tenho de acordar e levantar da cama.






Aceitação




A idéia de falar sobre isso, veio da Psicóloga Helen quando a nossa colega Graça compartilhou conosco, que uma colega de seu marido falou jamais aceitaria alguém com tantos problemas.

E eu perguntei: Será que ela já se perguntou que ela é quem precisa ser aceita? Com essa arrogância, esse julgamento e inveja?

Nós precisamos constantemente aceitar as coisas como são, empurram goela abaixo que devemos aceitar os problemas, aceitar que nada pode ser feito, aceitar que as pessoas são ruins mesmo, aceitar o sistema político, aceitar que sofremos de mals tratos, aceitar esse tipo de gente que tem pra todo lado apontando em nós o stigma de loucos.

Precisamos aceitar todas as pérolas que escutamos aqui no Caps, como por exemplo uma psiquiatra que me disse que 2 pacientes com transtornos mentais não podem ser amigos, pois, um pode contaminar o outro.

Uma médica usou essa palavra, e desde então estou tendo mais dificuldade de me relacionar com pessoas com ou sem transtornos.

Precisamos aceitar ajuda, pedir ajuda, aceitar que estamos o tempo inteiro precisando lidar com tudo.

Falam essas coisas pra nós como se as pessoas portadoras de transtornos mentais ou de alguma doença, fossem defeituosas.
Como se isso fosse um defeito, mas sabemos que não é defeito e nem virtude, é uma ferida que está em tratamento, e isso independe da aceitação alheia.


Se soubessem o tanto que está aqui exigiu de nós uma coragem, o tanto que somos fortes por encarar todos esses desafios.

 Eu quero que todos nós tenhamos forças pra nos defender desse tipo de julgamento, nós é que não devemos mais aceitar esse tipo de pessoa tóxica em nossas vidas, que milimetricamente nos ofendem, e alimentam algo em nossa mente que uma hora explode e depois nós que recebemos o estigma de louco, inferior, endemoniado, preguiçoso, dramáticos, pouco evoluídos, e que merecem passar por isso.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Chorando até passar

Eu faço o mesmo ritual desde criança, escuto música bem alto, coloco um incenso (quando criança eu nem sabia o q era isso, na adolescência colocava escondido de minha mãe) isso sempre trata das minhas feridas, eu me imagino tocando, participando de alguma maneira, especialmente quando coloco músicas com corais, clássicas, ou meu estilo favorito que é o metal, abrange diversos tipos de música.
Nos últimos anos, eu tenho me tratado mais com músicas meditativas, xamanicas, celtas, indígenas... todos esses tipos, as vezes até os funks subversivos, alguns rap, algumas mpb, alguns sertanejos da moda de viola... todos esses que de alguma maneira me tratam.

Consegui levantar depois de minutos q escrevi o post anterior, chorei tudo, não deixo mais de chorar, deixar de chorar foi o que mais me adoeceu, minha menstruação desceu hoje, eu sei que sofro do transtorno disfórico pré menstrual, e que a sertralina me ajudava nisso. Coloquei audiomachine, hans zimmer, 2steps from hell, e outros pra ouvir bem alto. Me lembrei de como isso sempre funciona, porém eu preciso estar de fato sozinha, se a passarinha tivesse aqui e mainha Isa, elas não iam gostar de ouvir.

Rapidamente eu senti uma melhora, e o arquétipo que sempre me firmei de mulher guerreira se instalou em mim, eu havia me esquecido disso, que consigo lutar com toda essa dor, com tanta vontade de morrer, eu consigo ainda sobreviver.  Tenho muitos motivos pra morrer, e os que me fazem tentar sobreviver é de não deixar as pessoas mal, não quero ser mais um trauma, a Isa não merece, a passarinha não merece, nem meus pais, nem avós, nem aqueles que já fizeram parte da minha vida e por algum motivo brigamos e nos afastamos.

Eu preciso desaparecer aos poucos, pra que não doa mais em ninguém.

Continuo chorandp pq to aceitando esse destino, que seja de estar só novamente ouvindo minhas músicas, como minha mãe sempre disse: "Vc e seu pai deveriam molhar numa ilha deserta!"

Eu sei que sim, mas cada um na sua ilha, eu e meu pai sempre tivemos uma ligação mais forte, e sempre brigamos muito, e hoje eu entendo ele. Não sei se ele me entende ou entenderá... A única coisa que sei, é que sou de um mundo e realidade completamente diferente da minha família de sangue. Não me sinto mais parte de nada.

Quero ainda morar num lugar alto em que eu só veja o céu e possa morrer em paz, isso vai demorar pq só vou quando meus filhos desencarnarem, quando Isa não precisar tanto de mim, quando a passarinha estiver estável, e quando eu sentir que vale a pena morar lá. Não pretendo me matar lá, mas sim me permitir envelhecer, escrever tudo que preciso, isso sim seria uma maneira que valesse a pena envelhecer.

Já que nunca mais conseguirei me relacionar amorosamente, sim, eu desisto, isso não é pra mim e nunca foi! Sim, seria bom pagar minha língua a respeito disso, eu não vou mentir que desisti pq não quero, desisti pq não vejo saída.

Hoje eu queria pedir ajuda, não consegui, as pessoas me disseram: "Se precisar conversar, estou aqui"

Eu não quero mais conversar, eu quero presença, cuidados, me sinto como se estivesse  baleada, como se estivesse saído de uma guerra da qual eu só levei bala e ferimentos, e as pessoas querem me ajudar conversando. Não é assim que se trata feridas profundas. Eu não sou prioridade na vida de ninguém, as vezes nem da minha.

Falta de amor próprio? Ou é o costume devido a vida inteira ter sido criada num país que enraizou em mim a culpa cristã, o martírio, a redenção?

Eu sou da tribo que vive "do jeito que o diabo gosta", "nunca fazer, nada que o mestre mandar, sempre desobedecer, nunca reverenciar"

Claro que isso me coloca na posição em que as pessoas atacam e justificam meu sofrimento. Eu só quero lembrá-las, que muitas pessoas cristãs e que seguem o protocolo religioso sofrem disso tmbm, atletas, artistas, heterossexuais, homossexuais, ricos, pobres... Esse transtorno não tem padrão.

Eu sei que dependendo das condições de vida a causa é um fruto venenoso, difícil de tratar, digo em nome daqueles que foram encaminhados a prisão, tornaram-se assassinos... ou melhor o sistema os tornou assim, marginalizados pro resto da vida.

Eu sei que tem gente que se sobressai, mas no meio que me criei, não existe saúde psicológica como prioridade, a base da sociedade ja ta muito enganada, minha família ta longe de entender a necessidade de um tratamento, é mais fácil ir a igreja, sai mais barato e funciona como efeito hipnótico. Eu sei de tudo isso, e só reforço por aqui pq sei que esse assunto é pouco falado, as vezes é falado com distorções a respeito das pessoas portadoras de algum transtorno mental.

Ainda choro por aqui, não consigo pedir ajuda, só consigo desabafar por aqui, pois é o único lugar que sei que posso partilhar sem tanto medo e sem ouvir o que devo fazer...




O que é família?

Ainda me dói essa questão, me dói saber que sempre recebi migalhas, esmolas, a respeito de afeto, carinho, cuidado.

Eu passei anos acreditando que família também podia ser escolha, que amigos que me diziam isso era verdadeiros. A verdade é que o estado e a cultura interferen tanto nisso, que as pessoas não se tocam do quanto é tóxico se dizer família e nos piores momentos te dar as costas, com a desculpa que seus parentes de sangue estão vivos.

Me empurraram pros meus pais cuidarem de mim, sabendo que eles não sabem lidar comigo normal, imagina na minha situação.

Eu disse tantas vezes q não queria ir. Quando voltei foram mais apontamentos.

Eu me sinto só por isso tmbm. Perdi tudo, só me restou o presente de sobrevivência, mas não consigo mais confiar em ninguém, to me isolando mais, pra não me sentir só novamente ao lado das pessoas.

Ontem na minha insônia, eu só conseguia ouvir e pensar no quanto as pessoas já me deixaram claro que eu sou horrível.

Lembro da passarinha falando que não tenho ninguém, lembro das pessoas falando q sou forte e vou vencer isso, mas isso não me alegra, é uma desculpa delas pra se retirar. Eu queria mesmo, de verdade, tirar essa dor com as mãos, essa carência, essa vontade de ao menos uma vez na vida ser cuidada. Lembro da Isa me dizendo q sou família mas se quer conheço os filhos dela. Lembro de todas as vezes q as pessoas q me relacionei apontaram minhas falhas, sim só me lembro das coisas ruins, não controlo isso.

Eu to quase desistindo de novo, só quero que respeitem minha escolha,  que respeitem o que escolhi pra mim. Eu já não faço diferença, e se faço não ta valendo todo meu sofrimento.

Meus pais, irmãos, tios, avós, não se importam comigo, a verdade é que eles têm mais o q fazer. E eu to cansada.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Sensações e elementos

Nos últimos dias eu tenho oscilado entre a raiva e a tristeza, a solidão e a vontade de ficar só... Nesses dois extremos eu queria a mesma coisa, estar com alguma parte que me falta, estar tranquila, ter certeza que toda merda que me aconteceu nos últimos meses valeu a pena. Já estamos na metade do ano, e não quero me ver repetindo essa frase acrescentando anos...

É nessas horas que vejo como estou realmente mal, perdida, como Alice no país das maravilhas, como um filhote arisco que se criou nas ruas e não sabe conviver com seres de sua espécie e muito menos com outras.

Quando sinto raiva de tudo, especialmente de mim, eu literalmente sou pavio curto, um risco de fósforo que é capaz de pegar fogo e incendiar qualquer coisa possível.

Mais cedo eu estava novamente sentindo que isso só vai passar quando eu morrer, deu muita vontade de acabar logo com isso.
Minha passarinha me disse ontem que tava pensando em morrer mas disse q pensou em mim, que seu namorado ao menos tmbm tem família, mas a gnt só tem uma a outra. Só que, nos últimos dias eu não tenho mais sentido isso.

Acho que agora, a consciência disso me engoliu, é a hora que me sinto afogada, ou me entregando a água até sumir.

Onde estava aquela energia e amor que me transbordou? Eu tava leve como o vento, firme como a terra.

Eu nesse momento to sem saber qual deles prevalece. Estou com aquela dor no estômago de enjôo, de tristeza...
Eu percebi que minha vida ta muito fodida pra eu deixar alguém entrar nela. Pq eu não to sabendo lidar com o cresceu em mim desde que beijei alguém. E foram só uns beijos... só.

Eu queria conseguir controlar a intensidade dos meus sentimentos por coisas simples. Passei mais de 1 ano sofrendo por uma despedida que aconteceu entre mãos entrelaçadas de 1, beijos e hipóteses de outro.

Dessa vez eu fiz diferente, me permiti chorar o tempo q precisar,to me permitindo me dar mais tempo. Depois de tudo q me aconteceu ano passado a última coisa qie devo faze d novo é fazer o q fiz, instalar app de relacionamento... ano passado em qualquer deslize era motivo de desistência, e mais libido, mais loucuras e mais corações quebrados. Esse ano, eu só consigo tentar me concentrar em não fazer merda, em me manter no controle. Claro que to assustando todos, eu perdi o ciclo dr amizades e rede de apoio q achei q tinha.

Eu queria tanto conseguir sofrer menos ou nada com essas coisas, ta muito difícil, quero desaparecer ao mesmo tempo qur quero colo. Mas não deixo mais de chorar, chorarei  até secar, até não ter mais motivos.






17/05/18

Às 02:24

domingo, 13 de maio de 2018

Trabalho

Estava tudo bem aqui dentro, eu tava suportando o vazio, tava me virando na ansiedade, nas reações q meu corpo tem, na falta que eu nem entendo.

Fiz minha velha terapia, separei a lenha, acendi e mantive acesa a fogueira, fiquei calada, olhando as estrelas, até a passarinha e o legume chegarem pra contemplar a noite, rimos, conversamos e eu fiquei bem, ainda q eu quisesse só o silêncio e a contemplação... Eu fiquei bem.

Tirei fotos, filmei, postei nas redes, vim aqui escrever... E quando Mãe Isa chegou foi legal tmbm, conversamos muito e rimos muito.

Já estavamos perto de dormir, já era tarde, mas mais cedo que neste momento, quando mãe Isa tocou no assunto do qual seu filho lhe preocupou, ela me olhou nos olhos e perguntou se eu sentia que estava sendo escravizada aqui, pq segundo ele, e a lei trabalhista que eu conheço bem, eu posso entrar na condição de trabalho escravo, ele sugeriu que fizéssemos um contrato e ela me pague um salário.

Na hora eu expliquei que não me sinto nessa condição e que pra mim acontece a relação de troca, e que isso é comum, que muitas pessoas fazem isso, mas ela disse todas as palavras que até consigo entender vindo de uma pessoa de classe média que convive com pessoas ricas e completamente sem noção de comunidade. Entendo que ele não sabe e acha que nunca será possível viver em um mundo que não exista cargos e salários, e dissr mais pra Mãe Isa: "Quem disse que ele tmbm não é escravo? Pode dizer a ele q eu era da área de rh e conheço bem um trabalho escravo.maquiado de meritocracia e profissão.

Na hora a passarinha me ajudou a dizer a ela pra não se preocupar, mas alertei que entendia.tmbm q se alguém quisesse denúncia-la ou me denunciar pro inss dizendo q há um trabalho remunerado a gnt pode se prejudicar. Ela por me "explorar" aos olhos do estado, mas na real ela vai ts deixando de direcionar impostos de relação trabalhista ao estado. E eu por enganar o inss de q não estou apta a trabalhar.

Eu estudei isso, sei muito bem que entre alguém na condição de empregado doméstico da qual ele sugeriu, já traz uma relação de poder. Nitidamente eles não me aceitaram como filha adotiva dela e muito menos sendo uma pessoa da mesma classe social que mora em um lugar e divide atividades domésticas.

Perguntei a mãe Isa se caso eu trabalhar fora ele vai dizer isso, caso eu abra a Oscip com ela, ele dirá isso. Eu a acalmei q não irei reivindicar isso,  que depois a gnt explica melhor a ele, e que pra ela se respaldar a gente pode fazer algum documento. Vou estudar a respeito.

Mas agora, minutos depois dessa conversa e já são 02:28 am, eu comecei a ouvir pensamentos a mil a respeito disso, que no fundo ela não é mãe adotiva, nunca serei considerada e aceita, lembrei dos meus pais que não ligam pra mim, lembrei de tudo que passei ano passado e agora em minha cama vejo o quanto isso me ofendeu e me afetou.

Nas minhas tarefas que foram combinadas, eu devo me dedicar no máximo 4 horas por dia, sem ser um trabalhi mecânico, eu cuido como se fosse mãe de todos os felinos e a cléo. Me perguntei se eu fosse uma namorada ou namorado da Isa se ele veria com os mesmos olhos e me julgaria dessa maneira.

Eu me afeto por isso, pq nem mesmo nas condições que estou vejo isso como trabalho. Vejo como terapia, como um descanso, como uma internação e recuperação.

Depois comecei a sentir que nunca mais serei da mesma "linha" de cidadania e pessoa forta e séria, decidida de si mesma, se eu escolher continuar assim. É imposto e é exigido o tempo inteiro que tenhamos um rumo de profissão, sua identidade se resume a isso. Se resume a exploração disfarçada de meritocracia e de planos de carreira.

Estou realmente arrasada com isso, por um momento me deu muita vontade de jogar tudo pro alto e desaparecer. Creio que a única coisa q ainda me segura são meus felinos, mas to aqui... Querendo morrer.

Assustei as pessoas que já se aproximaram de mim, as que já quis manter uma relação, com essa minha condição, dessa vida bugada, e sinto novamente que tudo foi esmola. Vou continuar sozinha por um bom tempo, mas gostaria muito de tirar do meu peito o que to sentindo, o que ta machucando, parece que não há saída quando esse sentimento vem.

Naturalmente senti raiva novamente de quem não está comigo, sei que não deveria me afetar, sei que racionalmente falando nada importa.

Vai chegar a apatia sobre isso, ou alguma decisão de sobrevivência. Só sei que ta doendo, e que não vejo saídas pra melhorar. É como se fosse uma sentença de morte. Como se fosse mais motivo pra deixar de existir, pq eu já não existo.

Ainda venho aqui desabafar, sabendo que ninguém lê e ninguém se importa, sabendo que isso tudo pode ajudar alguém um dia, sabendo que ainda é meu escape.

Talvez eu deixe de existir em todos os aspectos e nem estou falando de morte, estou falando dd anonimato, de uma maneira de me proteger sem existir.

Preciso dormir... mas queria ficar aqui escrevendo, pq nessas eu me encontro comigo e consigo achar algum rastro de identidade, daquela que é golpeada em horas como essa. Chorar... claro que sim, eu ainda sinto.

Nem me lembro mais

Estou no meu ritual favorito, no lugar onde mais amo, mas precisei vim aqui escrever...

Me pergunto se esse calor em meu peito é alimentado todas as vezes que fico em volta de uma fogueira, observando o céu estrelado.

Sentindo em mim a certeza de não ser nada perto do que é esse todo. Meu sentimento de solidão reduz, mas eu ainda me pergunto se há alguém em algum lugar fazendo o mesmo nesse exato momento.

Nem me lembro mais de como é ter alguém pra compartilhar o dia, ter a certeza que terá um ombro pra chorar, alguém que sincronize comigo o mais belo amor e sexo.

Desde que nasci, desde que percebi que nada me conforta mais que a noite fria ao ar livre, com uma fogueira pra me esquentar, e o medo de amar.

Se quando a gnt morrer for possível escolher uma vida eterna, eu vou querer passar minha vida eterna no espaço observando as estrelas...

Não faz sentido eu está com a cara aqui digiyando e perdendo a contemplação, mas precisava desabafar.

Além desse afago do fogo e das estrelas os médicos felinos estão aqui comigo me dand9 força e me protegendo. Ai de mim se não fosse eles.

...




sábado, 12 de maio de 2018

Olha o que o amor faz

Desde que cheguei nesse hospital psiquiátrico, eu fui melhorando muito rápido comparado ao que eu sentia antes.

Nem foi uma escolha minha, os médicos de 4 patas que tem aqui, sempre me dão amor e carinho, cuidado, massagem, afago.

E quando eles precisam de ajuda eu dou na mesma intensidadr, ou até mais.

Desde que cheguei, fui cuidada e cuidei de 6 filhotes.

1 deles chegou aqui todo molhado, tava no meio da rua, foi abandonado na chuva, quando mãe Isa voltando do trabalho de Babá achou. Cuidei dele por 15 dias, dei colírio e remédio pra rinotraqueíte, e depois descobrimos que ele ficou cego.

Ele foi adotado e devolvido em menos de 1 semana.

Depois chegaram 2 filhotes cheios de fungos, tava em carne viva, cuidei deles por 1 semana.

Há uns dias eu tava andando a noite e achei outro filhote abandonado. Na manhã seguinte uma senhora veio deixar uma fêmea com a desculpa q não podia ficar, pois tinha pitbul em casa.

Depois ficamos sabendo q um dos gatinhos que foi adotado separado do irmão, entrou em depressão e parou de comer.

Ele ficou 1 mês internado, comia nada, chegou ontem e em menos de 24 horas, ele já comeu graminhas e patê especial. Já tiramos a sonda, o colar cervical e nem parece q ele esteve doente. Ainda ta magrinho, mas ta animado.

Tem quase 1 semana q a pipoca foi resgatada, ela estava muito estressada e chorava muito. Ela foi encontrada no motor de um carro na embaixada dos EUA, e passou 15 dias fugindo das pessoas e sem se alimentar direito, ela deve ter no máximo 2 meses.

Agora ela ta toda fofa, brinca com os outros filhotes e aceita carinho.

Muitas vezes me vejo do jeito que ela tava, arisca, sem saber receber carinho, por qualquer coisa se apavorar, atacando de graça pra se defender de algo q nem existe.


Agora ela ta amorzinho, mas eu tive paciência, deixei o tempo, dei colo, recebi as bufadas e arranhadas com carinho.

O que ficou cego, o Rose, mainha Isa diz que ele é bipolar, e realmente ele parece eu em algumas crises,  hora ta eufórico, hora irritado, hora ta amorzinho, hora ta diboas... Mas será se todos são assim? O que me dá essa patologia e pras outras pessoas é normal?

E se todo sanatório, Caps, terapia etc... Tivesse mais essa relação de companhia, de colocar no colo e acalentar?

Pq eles ainda usam tanta força?

O Sam tava sem comer por depressão, ao invés de trazerem ele de volta pra cá e pra ver o irmão, colocaram ele internado com uma sonda e preso numa gaiola.

Chegaram a falar que ele ia morrer, e nada de alta. Mãe Isa insistiu pra ele vim pra cá e agora ele ta super bem.

Ele tava numa hospital, e eu poderia me conformar com o especiamo que há na sociedade e dizer que a equipe de lá, esquece que animal sente. Mas, eu sei como funciona a saúde mental para seres da nossa espécie também. Praticamente ninguém sabe lidar em casos assim.

Saúde mental é algo pouco discutido, ainda mais num sistema que dessensibiliza os profissionais e traumatiza mais os pacientes.

Volto a lembrar da música Poema: "eu lembro do tempo em que eu era criança, que o medo era motivo de choro, desculpa pra um abraço ou consolo..."

Quem disse que as coisas precisam ser assim como já são?

Eu serei teimosa pra sempre, pelo menos a minha volta eu to mudando. E sim... eu to conseguindo amar, não tava me dando conta que isso já ta rolando, to amando e sendo amada aqui. Sendo curada.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Amor da minha vida, fica aqui comigo

Se há algo que posso dizer q amo, batizei como amor da minha vida, é esse sentimento de plenitude, nada vai me afetar, eu me amo, está tudo sobe controle.

Há muitos anos eu faria poesias pra um ideal de amor, hoje eu reconheço que esse ideal merece. Esse ideal ta em mim, é isso que me abraça, me afaga,  me acompanha, e é disso que eu preciso e não quero perder.

Fica aqui amor próprio, não me abandona, nos dias amargos e felizes eu preciso de você.

Você me completa, me dá esperança de viver. Me permite sonhar, fazer planos, é meu amigo, te confio os melhores e piores segredos.

Você é minha alma gêmea, sabe tudo sobre mim, mais que eu mesma.

Amor próprio, case comigo, me dê um filho, vamos chamá-lo de equilíbrio.

Eu te amo, e sinto que é recíproco quando você aparece e cuida mim.


Tô ótima!

Não tem nem 24 horas que postei tantas lamúrias, já estou aqui esperando a minha hora na terapia, me sentindo ótima, com vontade de abraçar o mundo, com sentimento de gratidão, cheia de amor pra dar.

Queria acordar assim todos os dias!

Eu e mãe Isa, viemos conversando sobre nossos planos de "salvar o mundo". Falei sobre meus livros que comecei, falei sobre um conto que estou escrevendo sobre meus médicos de cura, os gatinhos que foram abandonados.

Ontem a Pipoca que foi resgatada há uns 15 dias, parou de ser arisca, mas chora pro meu colo, e ficou quietinha com seu ronron em meu colo, enquanto que o Guns, Rose e a Vittas destruíam meu case do notebook, eu filmei e ri muito alto. Estava assistindo o show do Hans Zimmer que tem na internet.

Me emocionei, ouvi os clássicos dele, a músiva do rei leão, do spirit, batman,time, interestellar... Chorei por aquele momento, recebi uma espécie de esperança.

Fui passear com a Cléo, contemplei o céu, curti minha presença. Como eu já havia tomado a quety e a trigina, o sono foi me consumindo. Voltou o desejo de morrer, na minha cabeça martelava: Quero morrer, só queria morrer... Hoje eu acordei: quero viver, a vida é bela, quero amar, quer ser amada, não importa o tempo que durar, não importa o tempo que vai demorar pra começar...

Estou tão bem que estou sentindo que devo focar em compartilhar as coisas boas também, me esforçar pra explicar como é a parte que meus sentimentos fluem e me dão prazer.

Estou confortável em meu próprio corpo, me sentindo gostosa, a melhor companhia.

Lembro q ano passado eu não me via no espelho, eu estava muito pior, não via motivo pra nada, era só cansaço.

Querendo ou não eu finalmente estou trilhando o caminho que sempre quis. Os pesadelos continuam, eu sei que uma hora vou estabilizar e voltar a sentir a paz que jà tive quando criança.

Lembrei de uma música que conheci quando estava comungando ayahuasca;

"Quando a lua chega de onde mesmo que ela vem?
Quando a gente nasce já começa a perguntar
Quem sou?
Quem é?
Onde é que estou?
Mas quando amanhece quem é que acorda o sol?
Quando a gente acorda já começa a imaginar
Pra onde é que eu vou?
Qual é?
No que é que isso vai dar?
Quando a estrela acende ninguém mais pode apagar
Quando a gente cresce tem um mundo pra ganhar
Brincar, dançar, saltar, correr
Meu deus do céu onde é que eu vim parar?
Quando a lua chega de onde mesmo que ela vem?
Quando a gente nasce já começa a perguntar
Quem sou?
Quem é?
Onde é que estou?
Mas quando amanhece quem é que acorda o sol?
Quando a gente acorda já começa a imaginar
Pra onde é que eu vou?
Qual é?
No que é que isso vai dar?
Quando a estrela acende ninguém mais pode apagar
Quando a gente cresce tem um mundo pra ganhar
Brincar, dançar, saltar, correr
Meu deus do céu onde é que eu vim parar?
Brincar, dançar, saltar, correr
Meu deus do céu onde é que eu vim parar?"
(Palavra Cantada)

Saudades das pessoas qur conheci no chá, uma pena que elas só eram família naquele momento. Uma pena que foi tão intenso e tão vazio, mas guardo todos no meu coração, nas melhores lembranças, até de coisas que aconteceram fora dos rituais, do dia em que 2 ciganos contemplaram uma tarde fria no parque e descobrimos que amávamos a mesma pessoa. Do dia em que esse amor me pediu perdão por não poder estar comigo, do dia em que fizemos amor pelas mãos entrelaçadas... Foi uma despedida, e nem quem eu era, nem quem ele era, existirá mais...

A roda da vida nos transformou, e o cigano que esteve comigo, aquele que chamam de Ravi, também não é mais aquele que tanto amei, mas que amo de uma maneira diferente, na lembrança e carinho em meu peito.

Foi bom, foi tudo lindo, nesse momento eu sinto que valeu a pena, que não me arrependo de nada, e que nunca fui abandonada e nem mesmo abandonei, foi só mais uma rodada da vida!

Bom dia, boa tarde e boa noite! Queria dar a todos esse amor e que todos sintam o quanto é bom viver... Isso pode durar só umas horas, mas ta aqui... to vivendo.


quinta-feira, 10 de maio de 2018

Sobrevivendo a minha instabilidade




Eu conheci alguém que me trouxe de volta o medo de morrer... na mesma medida que ele sumiu de novo.

O medo aparece e vai embora, me enche de sonhos de que quero viver plenamente feliz, e quando desaparece levando minha esperança de amar, eu me derramo em lágrimas.

Tem exatamente 15 dias que larguei a sertralina e de brinde já veio majs desentendimentos, cortes de relações, euforias, pânicos, sensibilidade, criatividade, vontade de amar e ser amada, sumir, virar o nada.

Quando eu olho a noite e a imensidão, horas eu queria ter alguém q estivesse nessa sintonia, mas eu lembro que nem mesmo esse alguém que conheci queira isso.

O conheci em um aplicativo de relacionamento. Não fez 1 semana de match, e já aconteceu a intensidade e a frieza. Assim como eu oscilo em estar muito bem e estar muito mal.

Quero constância, quero poder contar pra sempre, quero estabilidade, mas entendo que se é difícil pra mim lidar com isso, imagina pra quem ta de fora e não sabe o que fazer.

Eu hoje resolvi assistir o show do Hans Zimmer, sozinha, contemplando cada nota, hoje eu nadei sozinha, eu contemplei o céu, o nascer e o pôr do sol, vou fechar minha noite como todas as noites.

Andando sozinha com a Cléo, pensando, ouvindo, tentando por as coisas no lugar, liberando endorfina pra ajudar na angústia, no pânico, no ódio e no medo.

Tem uma música do Cazuza, interpretada pelo Ney que o trecho me define: "eu lembrei do tempo em que eu era criança que o medo era motivo de choro, desculpa pra um abraço ou consolo".

Pq q a gnt perde isso? Pq só temos compaixão pelas crianças quando choram ou nem mesmo isso.  Eu vou explodir de tanta coisa, inconstância, tempestade, maremoto, fim do mundo.

Eu sei que lá no final, meu destino vai ser uma morte precoce, seja lá como for, só vai restar meu legado.

Talvez seja só o desejo de um alma solitária que ao mesmo tempo que acredita no amor que tem pra dar, sabe que nunca vai receber.

Eu perdi tantos  amigos, ou talvez só tenha precisado de me afastar para me transformar.

Metamorfose Ambulante, fluído, fogo...

E através de toda essa criatividade que me consome, me alimenta e me traz paz instantânea.

Eu sei que muitos só virão quando eu estiver bem. Mas ninguém vive 100% bem.

Um dia de cada vez, uma hora de cada vez, um minuto de cada vez, assim eu vivi os últimos dias.

Assim eu tento viver o presente e acalmar minha ansiedade, meus medos, minha necessidade de abraço e consolo.

"Hoje eu lembrei da minha vida inteira e chorei, por uma folha entre mil florestas que eu guardei, alguma coisa entre o céu e a terra me dirá, pq não há nenhum caminho insento de chorar."








sexta-feira, 4 de maio de 2018

Matei pra me salvar

Muita gente que estava em meu coração eu tive que matar, pq obviamente eu fazia mal a elas e a mim.

Tentar entender o pq q tanta relação acaba, pq eu sou tão difícil de conviver pra umas, e outras eu sou tão exemplo.

Isso é a exclusiva afinidade, que vai se construindo e se perdendo ao longo da vida, eu preciso aceitar, aprender a me reservar e não mendingar afeto, não criar tantas expectativas quando alguém me chama de irmã, eu que sei quem realmente faz parte da família.

Ao mesmo tempo que sempre consegui ignorar muitas pessoas,  eu aceitei muita humilhação, eu ouvi muitas críticas.

Mas nada doeu mais que ver tanta gente que eu amava me dar as costas no pior momento da minha vida.


Matei todas elas pra me salvar!