quinta-feira, 17 de maio de 2018

Chorando até passar

Eu faço o mesmo ritual desde criança, escuto música bem alto, coloco um incenso (quando criança eu nem sabia o q era isso, na adolescência colocava escondido de minha mãe) isso sempre trata das minhas feridas, eu me imagino tocando, participando de alguma maneira, especialmente quando coloco músicas com corais, clássicas, ou meu estilo favorito que é o metal, abrange diversos tipos de música.
Nos últimos anos, eu tenho me tratado mais com músicas meditativas, xamanicas, celtas, indígenas... todos esses tipos, as vezes até os funks subversivos, alguns rap, algumas mpb, alguns sertanejos da moda de viola... todos esses que de alguma maneira me tratam.

Consegui levantar depois de minutos q escrevi o post anterior, chorei tudo, não deixo mais de chorar, deixar de chorar foi o que mais me adoeceu, minha menstruação desceu hoje, eu sei que sofro do transtorno disfórico pré menstrual, e que a sertralina me ajudava nisso. Coloquei audiomachine, hans zimmer, 2steps from hell, e outros pra ouvir bem alto. Me lembrei de como isso sempre funciona, porém eu preciso estar de fato sozinha, se a passarinha tivesse aqui e mainha Isa, elas não iam gostar de ouvir.

Rapidamente eu senti uma melhora, e o arquétipo que sempre me firmei de mulher guerreira se instalou em mim, eu havia me esquecido disso, que consigo lutar com toda essa dor, com tanta vontade de morrer, eu consigo ainda sobreviver.  Tenho muitos motivos pra morrer, e os que me fazem tentar sobreviver é de não deixar as pessoas mal, não quero ser mais um trauma, a Isa não merece, a passarinha não merece, nem meus pais, nem avós, nem aqueles que já fizeram parte da minha vida e por algum motivo brigamos e nos afastamos.

Eu preciso desaparecer aos poucos, pra que não doa mais em ninguém.

Continuo chorandp pq to aceitando esse destino, que seja de estar só novamente ouvindo minhas músicas, como minha mãe sempre disse: "Vc e seu pai deveriam molhar numa ilha deserta!"

Eu sei que sim, mas cada um na sua ilha, eu e meu pai sempre tivemos uma ligação mais forte, e sempre brigamos muito, e hoje eu entendo ele. Não sei se ele me entende ou entenderá... A única coisa que sei, é que sou de um mundo e realidade completamente diferente da minha família de sangue. Não me sinto mais parte de nada.

Quero ainda morar num lugar alto em que eu só veja o céu e possa morrer em paz, isso vai demorar pq só vou quando meus filhos desencarnarem, quando Isa não precisar tanto de mim, quando a passarinha estiver estável, e quando eu sentir que vale a pena morar lá. Não pretendo me matar lá, mas sim me permitir envelhecer, escrever tudo que preciso, isso sim seria uma maneira que valesse a pena envelhecer.

Já que nunca mais conseguirei me relacionar amorosamente, sim, eu desisto, isso não é pra mim e nunca foi! Sim, seria bom pagar minha língua a respeito disso, eu não vou mentir que desisti pq não quero, desisti pq não vejo saída.

Hoje eu queria pedir ajuda, não consegui, as pessoas me disseram: "Se precisar conversar, estou aqui"

Eu não quero mais conversar, eu quero presença, cuidados, me sinto como se estivesse  baleada, como se estivesse saído de uma guerra da qual eu só levei bala e ferimentos, e as pessoas querem me ajudar conversando. Não é assim que se trata feridas profundas. Eu não sou prioridade na vida de ninguém, as vezes nem da minha.

Falta de amor próprio? Ou é o costume devido a vida inteira ter sido criada num país que enraizou em mim a culpa cristã, o martírio, a redenção?

Eu sou da tribo que vive "do jeito que o diabo gosta", "nunca fazer, nada que o mestre mandar, sempre desobedecer, nunca reverenciar"

Claro que isso me coloca na posição em que as pessoas atacam e justificam meu sofrimento. Eu só quero lembrá-las, que muitas pessoas cristãs e que seguem o protocolo religioso sofrem disso tmbm, atletas, artistas, heterossexuais, homossexuais, ricos, pobres... Esse transtorno não tem padrão.

Eu sei que dependendo das condições de vida a causa é um fruto venenoso, difícil de tratar, digo em nome daqueles que foram encaminhados a prisão, tornaram-se assassinos... ou melhor o sistema os tornou assim, marginalizados pro resto da vida.

Eu sei que tem gente que se sobressai, mas no meio que me criei, não existe saúde psicológica como prioridade, a base da sociedade ja ta muito enganada, minha família ta longe de entender a necessidade de um tratamento, é mais fácil ir a igreja, sai mais barato e funciona como efeito hipnótico. Eu sei de tudo isso, e só reforço por aqui pq sei que esse assunto é pouco falado, as vezes é falado com distorções a respeito das pessoas portadoras de algum transtorno mental.

Ainda choro por aqui, não consigo pedir ajuda, só consigo desabafar por aqui, pois é o único lugar que sei que posso partilhar sem tanto medo e sem ouvir o que devo fazer...




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