Estou encontrando outra fuga pro sentimento de abandono, de solidão, de ao mesmo tempo que quer um abraço, quer fugir...
Eu lembrei hj na terapia de tanta coisa, de todos os motivos que tenho pra desaparecer, me abraçar e seguir ao que me inspira.
A dor do mundo não é minha, mas eu sinto, pq eu sei o que é isso.
Lembrei da fase das tentivas de suicídio, da bulimia, da auto mutilação, dos diários, dos poemas, do cheiro da noite, da chuva, do sol, do pôr do sol, nascer do sol. Todas as músicas que embalavam no colo e me davam aquilo que me faltava.
Eu amava ficar sozinha, e sempre quis morar sozinha, o desejo de morar na rua não veio depois ou pouco antes do surto, eu tenho desde os 7 anos.
Eu planejava, calculava quanto de dinheiro eu precisaria pra comer por quantos dias.
Um dia fugi, minha mãe me achou e eu apanhei. Sempre que ela brigava comigo eu avisava: EU VOU FUGIR DE CASA!
Depois era: QUANDO EU TIVER 18 ANOS EU VOU SAIR DE CASA!
Eu escrevia, começava a compor, sentia tudo...
Isso era meu lugar seguro, me via na paz de me dedicar a arte sem ninguém gritar dizendo que eu deveria fazer outra coisa.
Nunca me importei com dinheiro, segurança, status, eu só queria expressar.
Talvez isso seja uma âncora, ainda não me convenci se que viver vale a pena. Só não tento mais pq tenho meua felinos e agora o compromisso com a Isabel.
Ainda quero ver a aurora boreal na finlândia, ainda quero mas não tão firme que me faça crer que isso dará certo ou melhorará meu desejo de parar de existir.
Lembrar dos meus escapes me trouxe paz.
Um dos meus sonhos me trouxe a música 'A lista' do Oswaldo Montenegro, e além dela tem a Metade...
Isso resume muito, muita coisa que faz parte de mim.
Quero muito poder me transformar nisso.
Nisso da música, pq essas sensações pra mim tem algum sentido.
Dentro de toda essa bagunça da sociedade.
Não é caos, o caos é lindo, o caos ordena, é natural.
Essa consequência que a gnt tem, de traumas, transtornos, poluição, doenças sem cura... Isso não é caos, isso é a consequência da falta de importância e sensibilidade alheia.
Eu agora ainda to pensando e sentindo o que foi tudo aquilo que vivi, na infância, adolescência, início da vida adulta.
O reconhecimento da perda de identidade, a sensação de ter perdido a vida, e com a obrigação de estar viva, vivendo aquilo que mais me deixava mal.
É sutil, a gnt se esquece de quem somos, aos poucos, e nos tornamos adultos chatos, seguindo uma programação.
Hoje eu recuperei memórias de traumas, e também senti e passei a dar mais importância aos escapes.


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